Como Usar Inteligência Artificial para Ganhar Dinheiro Produzindo Conteúdo Sobre Como Usar Inteligência Artificial Para Ganhar Dinheiro.
Não sei se é a ranzinzice pós 40 anos, mas realmente ando saturado de um mundo cada vez mais superficial. Somos constantemente bombardeados por promessas de riqueza e/ou sucesso fácil, mas sem jamais abordar exatamente qual seria o produto/serviço/conteúdo a ser oferecido em troca.
É sucesso pelo sucesso, bolha atrás de bolha, curso atrás de curso. ]
E eu continuo sem saber o que escrever.
Dias desses estava em uma sessão pavloviana de doomscroll pelo Youtube, até que me deparei com um vídeo que abordava a rotina um empreendedor famoso - cujo nome não revelarei pelo simples motivo que não estou numa fase muito boa para ser réu em uma ação indenizatória - e percebi o quão fácil podemos ser enganados.
O fato é que nesse vídeo pouco se falava do produto/serviço vendido pelas suas empresas, mas sim continha um foco excessivamente narcisista em cima da figura do empreendedor por si só, como se ele fosse uma entidade autossuficiente, que independe de sua criação.
É, realmente, o culto à personalidade produz algo singular, que é a sensação de que a própria existência do indivíduo já encerra uma criação em si, um ser que se basta, um ente cuja obra é ele mesmo: in re ipsa.
E o que falar do attention spam? Não sei o quão embasadas cientificamente são essas alegações que estamos “viciados em dopamina”. Isso pode ser outra enganação um tanto quanto estóica, mas é real que não temos mais capacidade de permanecer em silêncio ou em contato prolongado com uma única ideia.
Isso obviamente se reflete nessa superficialidade de tudo. O conhecimento, ou a falta dele, é pura anestesia contra a dor do tempo que se arrasta.
Talvez esse cenário não fosse tão catastrófico se tais fenômenos se restringissem somente à esfera íntima de cada indivíduo, ou seja, algo completamente desvinculado ao homo laborans, papel este que invariavelmente somos obrigados a performar.
Isso, sem sombra de dúvidas, cria todo um ecossistema de picaretagem e promessas vazias no encantado mundo do empreendedorismo linkedineano. Nesse universo, o papel do homo laborans atinge uma inimaginável superficialidade plástica e caricata, tudo isso potencializado pelo uso desmedido de ferramentas “disruptivas” de Inteligência Artificial.
A cena é recorrente: Sujeito da Faria Lima vestindo um colete puffer, equipado com seu macbook, mostrando todas as ferramentas de automação possíveis, sempre com a promessa de extinguir todos os empregos do Planeta Terra.
Eu poderia dizer que tais propostas são insustentáveis mesmo que sob a ótica de um capitalismo tardio - afinal se não existirem empregos, quem consumirá bens e serviços provenientes de empresas que já não empregam ninguém? - mas a questão vai além: essas promessas não se realizam, são puro bullshit.
Ok, eu sei que as ferramentas de Inteligência Artificial são uma “mão na roda” em muitos casos, mas pobre do empreendedor ou gestor que acha que poderá tocar uma empresa sem trabalhadores humanos.
A bolha da IA está estourando. Frequentemente me deparo com notícias no sentido que não estão conseguindo adotar essas ferramentas em alta escala, que projetos neste sentido estão falhando.
E há ainda o efeito colateral já mencionado em linhas pretéritas: Hoje qualquer coisa tem que ter IA. IA não é mais vantagem produtiva ou competitiva, é marketing. Qualquer merda de produto ou serviço à venda diz possuir IA.
Quer cagar em paz? Temos a privada com IA, que manda relatório em PDF da sua merda direto pro seu médico e ainda sugere hashtags para o Instagram. Quer peidar sem culpa? Eis a cueca com IA, que analisa em tempo real o bouquet aromático do seu pum e ainda recomenda harmonização com papéis higiênicos gourmet.
Sério, eu não aguento mais isso.
O fenômedo do “IA Slop” não se restringe apenas em recônditos virtuais. A nossa vida anda “slop” pra caralho. Inclusive esse texto, cuja imagem de ilustração foi feita por IA.


